Dinheiro & Finanças Pessoais
Que
maravilha! Aumento de salário!
por Gustavo Cerbasi
Não caia na bobagem de se iludir com pequenos
aumentos de salário e se dar ao luxo de consumir por impulso. Todos nós
tendemos a fazer isso, entrar em novos financiamentos porque cabem no novo
salário.
Imagino a felicidade do trabalhador quando se
depara com a surpresa do aumento do salário mínimo. Vinte reais a mais, depois
de um ano de aumentos nos transportes, na energia, nos alimentos... Enfim, tudo
aumentou, e agora o trabalhador que ganha um salário tem vinte reais a mais para
melhorar sua vida. Dá para melhorar? Obviamente não, e qualquer pessoa sensata
sabe que o salário mínimo é uma piada de mau gosto, ainda maior quando um
aumento irreal como esse é proposto.
O governo justifica que a inflação foi muito baixa,
mas esquece que quem mais sofre com a inflação é o trabalhador. Realmente a
inflação foi baixa para vestuário, bens de consumo duráveis, lazer, itens que o
trabalhador há tempos não consegue consumir. Mas os itens de consumo básico
sofreram sim com uma inflação bem maior do que o aumento proposto para o
salário, o que quer dizer que, infelizmente, o trabalhador está e continuará
experimentando uma queda no seu “poder de consumo” – termo muito bonito, mas que
incomoda a quem sabe não tem poder nenhum.
Nessas horas, sugiro ao trabalhador muito cuidado
com a atitude em relação a seu salário. Há tempos que o poder de consumo de
toda a classe média da população brasileira vem caindo, o que abre caminho para
uma verdadeira situação de risco. Se o trabalhador não perceber que seu padrão
de vida vem sendo espremido e não tomar providências para ajustar sua vida a
essa realidade, em breve será surpreendido com dívidas impagáveis.
Todos nós, brasileiros, estamos tendo que colocar
toda nossa criatividade à prova para conseguir pagar nossas contas. Não caia na
bobagem (na verdade, na tentação) de se iludir com pequenos aumentos de
salário, agora e sempre, e se dar ao luxo de consumir por impulso. Todos nós
tendemos a fazer isso, entrar em novos financiamentos porque cabem no novo
salário. Com o tempo, outros itens de consumo aumentam de preço e o salário
deixa de ser suficiente, criando problemas financeiros para as famílias.
Fuja das financeiras – empresas que aprovam crédito
a juros abusivos – e das promessas de dinheiro fácil, são verdadeiras
armadilhas. Procure deixar sempre uma folga para o inesperado, por mais sofrida
que seja essa folga. Por menor que seja sua renda, faça o possível e o
impossível para que seu padrão de vida não seja maior do que sua renda, corte
itens menos urgentes.
Nossa sociedade vive um desequilíbrio de renda que
só tende a aumentar, porque os ricos investem enquanto os pobres consomem.
Todos somos incentivados a consumir, por varejistas que vendem seus produtos
parcelando os preços em um número enorme de pagamentos, o que nos faz pagar
muito mais do que os produtos realmente valem. Reeduque-se, fuja também dos
financiamentos, poupe antes de comprar. Se cada um de nós adotar essa postura
inteligente, certamente teremos melhores condições de barganhar na hora da
compra. Além disso, evitaremos o risco de estarmos presos a compromissos de
pagamento indesejáveis quando os preços aumentarem – e o salário não.
Gustavo Cerbasi é Mestre em Administração / Finanças pela
FEA/USP, formado em
Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com
especialização em Finanças pela Stern School of Business - New York University
e pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Leciona em cursos de
pós-graduação e MBAs pela Fundação Instituto de Administração, além de diversos
cursos ministrados in company.
É sócio-diretor da Cerbasi
& Associados Planejamento Financeiro.
Visite:
www.maisdinheiro.com.br
Gustavo Cerbasi é autor dos
livros:
-
Investimentos
Inteligentes
-
Casais
Inteligentes Enriquecem Juntos
-
Cartas
a um Jovem Investidor
-
Dinheiro:
Segredos de Quem Tem
-
Filhos
Inteligentes Enriquecem Sozinhos
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