Liderança: Mitos e Verdades

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Liderança: Mitos e Verdades

“Não confunda jamais conhecimento com sabedoria. Um ajuda a ganhar a vida; o outro a construir uma vida”.
Sandra Carey

Dos 20 líderes classificados como os mais destacados do mundo, citados no livro “A lei do triunfo”, Hitler e Napoleão foram os únicos considerados negativos. A história registra nesses dois personagens o foco no poder a qualquer custo e uma vaidade imensa de querer moldar as coisas à sua maneira, ao seu modo de ver o mundo.

“Você se torna um líder quando as pessoas seguem seus passos sem perguntarem o porquê”. A afirmação é de Gregory Smith, presidente da consultoria Chart Your Course International, de Conyers, na Geórgia – USA.

De fato, nada pode funcionar na base do “faça ou será punido”, condição que tanto Hitler quanto Napoleão impunham aos seus comandados.

Certa vez, num programa de televisão me perguntaram se ser chefe é ser líder. Respondi que deveria ser, mas o que se vê na maioria dos casos são pessoas imbuídas de poder, que quando deixam seus cargos amargam o desprezo das pessoas que os conhecem.

A diferença entre gerenciar e liderar serve para esclarecer um pouco mais o que é ser líder: gerenciar é cumprir tarefas determinadas, seguir normas, portanto, uma atitude passiva. Liderar requer proatividade. É quando você se dá conta de estar executando tarefas fora do contexto, mas que beneficiam a todos. É quando na ausência do titular da função você se apresenta e resolve, antecipando a solução sem ter sido solicitado.

Conheci um presidente de um clube importante que era criticado porque chegava cedo ao ambiente, principalmente nos domingos, dia de maior freqüência, e antecipava os trabalhos de limpeza removendo copos descartáveis da grama, pontas de cigarro, pequenos pedaços de papéis etc. Quando lhe perguntavam porque fazia aquilo, sua resposta era sempre a mesma: “no que isto altera minha personalidade, minha pessoa? Faço-o porque sinto-me bem preparando o ambiente para todos, além do mais é uma atividade que me ajuda a estar em forma.

Voltando a Gregory Smith, relembremos os “mitos” sobre liderança citados por ele:

Genética: muitas pessoas acreditam que os líderes nascem com esta característica, de maneira que quem não a tem jamais a terá. Este conceito é um absurdo. A liderança é a construção do ser. Sobre isso, ninguém melhor que o grande escritor americano Og Mandino, esclarece que “nas minhas andanças pelo mundo participando de conferências, seminários, palestras, e em tudo que li até hoje e pude ouvir, nunca soube que uma mulher pudesse dar a luz a um grande engenheiro, um grande artista, um grande médico, sempre soube que uma mulher dá a luz a um menino ou a uma menina. Somente depois seus feitos são conhecidos, já que não raro grandes gênios da humanidade foram tomados como limítrofes. A mãe de Thomas Alva Edison ouviu de sua professora “ele não serve para nada”.

Carisma: nem todos os grande homens da humanidade foram ou são carismáticos. Walt Disney era conhecido por sua inabilidade no relacionamento humano, Winston Churchill era alcoólatra. Sabe-se que as habilidades pessoais são mais importantes em uma liderança do que as habilidades técnicas. Além disso, a capacidade de relacionar-se não está apenas em ser gentil. Em muitos casos, não ser grosseiro já é o bastante. Se o seu desejo é o bem estar da sua comunidade, por exemplo, você manifestará essa vontade em seu comportamento e a transferirá às pessoas, ganhando adeptos e colaboradores para a realização dos objetivos. Aí se observa a liderança situacional, não importando a função ou o que se faz.

Posição hierárquica: teoricamente, as pessoas com maior tempo de casa, com mais experiência seriam os líderes, mas a realidade mostra outras direções. O “Brilho Apagado”, matéria da Revista Exame, em edição recente, mostrou que os vícios e o comodismo contribuíram muito para o insucesso de algumas grandes empresas. É preciso habilidade, gostar de desafios, estar aberto às inovações, estar de olho nas projeções futuras. Veja o caso da IBM e da Olivetti.

Informação: não é o número de diplomas ou certificados que faz o líder. Um conferencista amigo, chama a atenção para a arrogância que alguns detentores de MBA exibem e os chama, ironicamente, de “Muito Bobos Agora”. É preciso habilidade para lidar com o melhor e maior dos capitais, o ser humano.

Coação e Manipulação: este é comportamento das pessoas que denominamos “touros sentados na vida”. Elas desconhecem que é preciso compreensão, colocar-se no lugar do outro, vivenciar como se fossem dele as dificuldades de seus colaboradores. Os “touros sentados na vida” só serão líderes quando deixarem de preocupar-se com títulos, cargos, salas decoradas e agendas lotadas e perceberem que para motivar e arregimentar pessoas têm em primeiro lugar que acreditar em si mesmos, depois, nos ideais que defendem e por último planejar com paixão a rota para suas conquistas.

Last modified: 08/10/2017