Manter o foco: o desafio na era tecnológica

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Manter o foco: o desafio na era tecnológica

Até para pessoas que se consideram boas na hora de focar, a era da tecnologia representa um grande desafio. Nunca antes tivemos tantos dispositivos, alertas de celular, plataformas de redes sociais, propagandas e tarefas competindo pela nossa atenção. Então, todos nós precisamos de um pouco de ajuda para manter o foco.

Afinal de contas, focar na maneira certa das coisas certas nas horas certas é uma habilidade crítica para o sucesso na vida – uma que os psicólogos descobriram que podem ser aprimoradas com a prática.

Em primeiro lugar, o que é foco?

De acordo com Daniel Goleman, um psicólogo líder e especialista em ciência de atenção, e autor de “Foco: A Atenção e Seu Papel Fundamental para o Sucesso”, disponível no Brasil, há diferentes tipos de foco.

Ele explicou para a Forbes: “Há muitas variedades de atenção, falando tecnicamente, cada uma com suas melhores aplicações. Fazer um trabalho bem feito, por exemplo, requer uma concentração aplicada, enquanto descobertas criativas fluem melhor quando estamos em uma consciência aberta e solta.” Em outras palavras, enquanto o foco envolve como estamos direcionando nossa atenção (sempre estamos focados em alguma coisa!), modos diferentes de atenção existem e são usados de maneira melhor para tarefas diferentes.

Goleman define os tipos de atenção – a qual os neurocientistas estudam através de ressonâncias magnéticas funcionais – em três categorias gerais. Ele defende que podemos ter foco “interno”, “externo” ou “outro”, ou foco no eu, outras pessoas e no mundo ao nosso redor. Os mais bem sucedidos desenvolvem e equilibram esta “tríade de consciência”, porque uma “falha no foco interno te deixa sem rumo, uma falha no foco nos outros te deixa sem noção, e uma falha no foco externo pode te deixar cego.”

O foco interno envolve desenvolver a autoconsciência, ou ouvir a nossa voz interna. O autocontrole envolve colocar nossa atenção em uma tarefa dada e mantê-la ali. Esta segunda habilidade, que também pensamos como concentração, é o que muitos de nós pensam quando dizemos que queremos focar melhor.

Mas como usamos de maneira bem-sucedida nossa força de vontade? Goleman diz que há três maneiras.

  • Remover de maneira voluntária nosso foco daquilo que está nos distraindo
  • Trabalhar a resistência à distração para que não sejamos atraídos de volta para ela
  • Concentrar no que devemos fazer e imaginar como vamos nos sentir bem quando conseguirmos

Quando estamos praticando a concentração, é importante praticar estes três hábitos.

Outras consciências envolvem focar em outras pessoas e como nos relacionamos com as pessoas ao nosso redor. Ela requer desenvolver nossa empatia e compreender como as outras pessoas estão se sentindo.

Consciência externa refere-se ao foco no mundo ao nosso redor: dinâmicas políticas, culturais e econômicas são alguns exemplos. De acordo com Goleman, compreender o mundo é crítico para ser estratégico e inovativo.

Como a atenção e a concentração funcionam

O que está acontecendo em um nível de atividade cerebral quando estamos concentrados e quando estamos distraídos? Para responder esta pergunta, é importante entender os dois “sistemas” que governam o cérebro.

Daniel Kahneman, vencedor do Prêmio Nobel, chama isso de Sistema 1 e Sistema 2, os sistemas automático e refletivos respectivamente.

O Sistema 1, ou o sistema automático, é nossa rede cerebral involuntária que está sempre analisando nossos ambientes e processando estímulos. É o sistema que faz com que saltemos automaticamente quando alguém encosta em nossos ombros de maneira inesperada. Ele toma decisões rápidas e está sempre fazendo barulho no fundo. Quando estamos tentando focar, os estímulos ambientais – incluindo algo insignificante como um colega de trabalho fechando uma porta – podem servir como distrações.

O Sistema 2, ou o sistema refletivo, é voluntário e usado para tomar decisões racionais, deliberadas e analíticas. É o sistema que usamos quando sentamos em nossas mesas e planejamos projetos, estratégias e analisamos nosso trabalho e vidas. Ativar o Sistema 2 requer força de vontade para concluir o trabalho. Apesar do músculo de nossa força de vontade poder ser fortalecido com a prática, ele também fica cansado. Isso significa que não podemos confiar na concentração por períodos de tempo indefinidos. Também, quando estamos nos concentrando, nossos cérebros estão gastando energia para suprimir distrações. Concentração tem um custo metabólico – quando nossos cérebros se cansam, somos menos produtivos e afiados. Demora mais tempo para concluir tarefas e estamos mais suscetíveis a cometer erros em nosso trabalho.

Como manter o foco

Então, como melhoramos a duração e resistência de nossa concentração? Aqui estão quatro dicas para ajudá-lo.

Minimize todas as distrações que você tem controle

Elimine quaisquer barulhos extras, alertas e abas de computador do seu espaço de trabalho. Isso inclui alarmes de telefone, alertas de mensagens e sua caixa de entrada. Queremos reduzir a quantidade de estímulos externos que o Sistema 1, o sistema de resposta automática, envia ao Sistema 2 (que resulta na distração). Quanto menos nosso ambiente externo exigir de nossa atenção, melhor conseguiremos sustentar a concentração.

Pratique o treino do seu “músculo de foco”

Goleman compartilha: “A capacidade de focar é como um músculo mental. Quanto mais ele é exercitado, mais forte fica.” Como praticamos o foco? Ele oferece um treino de quatro partes baseado em pesquisa – originalmente descoberto pela professora Wendy Hasenkamp da Emory University – para fazer “repetições” de foco mentais.

  1. Foco no seu fôlego
  2. Reconheça que seus pensamentos se dispersaram
  3. Liberte-se do seu pensamento atual
  4. Foco no seu fôlego novamente e fique ali

Este processo de quatro passos é “uma repetição”. Cada vez que você perder o foco, pratique esta repetição. Goleman explica que esta prática simples, mas desafiadora fortalece os circuitos do cérebro.

Você também pode praticar o foco por períodos mais prolongados de tempo. Por exemplo, você pode começar ao focar de maneira intensa a cada dez minutos por vez e prosseguir a partir daí.

Lembre-se: Podemos praticar ficar mais focado e mais proficientes ao longo do tempo. Ganhamos uma regulação emocional melhor e menos stress, dois fatores que se traduzem em um foco melhor.

Se possível, coloque seu telefone em um ambiente diferente

Todos nós sabemos que receber uma mensagem de texto ou um e-mail pode causar uma distração. Mas um estudo recente da Universidade do Texas em Austin, sugere que ter nossos telefones ao alcance – mesmo se estiverem desligados – reduz a capacidade cognitiva ou capacidade de se concentrar.

No estudo de quase 800 pessoas, pesquisadores pediram aos participantes para executar testes que necessitavam de concentração. Os resultados? Os participantes que deixaram seus telefones fora da sala desempenharam melhor do que os que tinham telefones em suas mesas e bolsas, por uma margem grande e pequena, respectivamente.

O professor Austin Ward, que ajudou a liderar o estudo, explicou: “Sua mente consciente não está pensando sobre o seu smartphone, mas [o processo de pedir a você mesmo para não pensar em algo] usa parte dos seus recursos cognitivos limitados.”

Da próxima vez que você sentar para progredir no seu trabalho, experimente deixar seu telefone fora de alcance e veja o que acontece.

Autocontrole melhor é igual a…

Desenvolver autocontrole precisa de esforço, mas dados mostram que a recompensa provavelmente vale o trabalho. O Estudo Dunedin, um estudo longitudinal de várias décadas, acompanhou mais de mil pessoas como crianças, depois avaliou seu desempenho de saúde e de riqueza, e seus históricos criminais, como adultos. O estudo revelou uma conexão forte entre graus de autocontrole e sucesso nestas áreas, e que o autocontrole pode ser aprendido.

Apesar do relacionamento entre estas duas descobertas relacionadas não necessariamente ser causal, é poderoso saber que com mudanças incrementais, podemos provavelmente aumentar nosso bem-estar físico e financeiro.

Fonte: Evernote.

Last modified: 10/09/2017