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Neuroplasticidade e os caminhos da superinteligência

Publicado por | Comportamento, Profissional de Sucesso

A neuroplasticidade, também conhecida como plasticidade cerebral, refere-se à capacidade do sistema nervoso, particularmente do cérebro, de se adaptar e reorganizar ao longo da vida em resposta a experiências, lesões ou mudanças ambientais. Esta é uma característica fundamental do sistema nervoso que permite a aprendizagem, a memória e a recuperação após danos cerebrais.

Existem dois principais tipos de neuroplasticidade, a neuroplasticidade sináptica e a estrutural. Vamos conhecer:

Neuroplasticidade sináptica

Isso envolve a capacidade das sinapses, as conexões entre os neurônios, de se fortalecerem ou enfraquecerem em resposta à atividade neural. Quando uma sinapse é usada repetidamente, ela tende a se fortalecer, o que é conhecido como potenciação de longo prazo (LTP). Por outro lado, se uma sinapse não for usada, ela pode enfraquecer ou até mesmo ser eliminada, um processo chamado de depressão de longo prazo (LTD). Esses mecanismos de plasticidade sináptica são a base da aprendizagem e da memória.

Neuroplasticidade estrutural

Isso envolve mudanças na estrutura física do cérebro. Pode incluir a formação de novas sinapses, o crescimento de neurônios (neurogênese) e a reorganização de redes neurais. A neuroplasticidade estrutural é especialmente evidente em crianças, quando o cérebro ainda está se desenvolvendo, mas também ocorre em menor grau em adultos.

A neuroplasticidade desempenha um papel fundamental na recuperação após lesões cerebrais, como acidentes vasculares cerebrais ou traumatismos cranianos. O cérebro pode reorganizar suas funções para compensar as áreas danificadas, permitindo uma recuperação parcial das habilidades perdidas.

Além disso, a neuroplasticidade é uma parte essencial da aprendizagem ao longo da vida. Quando você aprende algo novo, seu cérebro está fazendo conexões neurais e ajustando as sinapses para armazenar essa informação. Isso é evidenciado em estudos de neuroimagem que mostram mudanças na atividade cerebral à medida que as pessoas aprendem novas habilidades ou adquirem novos conhecimentos.

Em resumo, a neuroplasticidade é uma propriedade fundamental do cérebro que permite a adaptação, a aprendizagem e a recuperação após lesões, tornando-o um órgão altamente flexível e dinâmico ao longo da vida.

Neuroplasticidade e Aprendizagem

Os inúmeros caminhos do cérebro são realmente comparáveis a uma rede, pois existem ligações entre eles – tarefa realizada pelas sinapses – terminações nervosas que disparam impulsos elétricos para estimular outras conexões dessa rede.

Caso você repetidas vezes requisitar suas habilidades de pedalar, mais habilidoso ciclista você se tornará. O mesmo quando fizer um bolo ou jogar sinuca, assim como acontece para qualquer aprendizado obviamente.

O processo de plasticidade cerebral acontece envolvendo o sistema mesolímbico, o que não se passa do sistema de recompensas do nosso cérebro utilizando hormônios e nossos receptores cerebrais.

De acordo com David Smith, autor do livro Liberte Seu Cérebro, “O caminho da recompensa está intimamente ligado às nossas áreas de julgamento e emoção. O julgamento se torna distinto e o cérebro começa a tratar a substância como necessária para a sobrevivência.”

Essa recompensa ocorre nos caminhos neuronais que mais se aproximaram do resultado pretendido no sistema de aprendizagem cerebral e funciona assim:

Existe um objetivo para seu cérebro realizar processos cognitivos.

  • No processo ele reconhece caminhos para tal objetivo.
  • Decisões conscientes são tomadas para registrar esses caminhos.
  • Quando o propósito é atingido, os receptores cerebrais recebem recompensa de dopamina.
  • Os caminhos neuronais recompensados se fortalecem e expandem com o novo aprendizado.
  • Sempre que aquele conhecimento for necessário, a mesma rede neuronal será acessada.
  • Quanto mais acessada, mais forte, ágil e precisa ela será.
  • Qualquer novo conhecimento dessa rede, a faz se redesenha e expandir.

Esse processo é o que nos faz vencer medos e ganhar coragem. Podemos dizer que os medos são caminhos neuronais pouco percorridos sobre determinado aprendizado. Enquanto os hábitos não se passam de caminhos neuronais bem transitados. Coisas que achamos fáceis de realizar.

Os Avanços do estudo na Neurociência

A neuroplasticidade cerebral tem sido objeto de intensa pesquisa na neurociência nas últimas décadas, e os avanços nessa área têm sido notáveis. Aqui estão alguns dos principais avanços e descobertas relacionados à neuroplasticidade cerebral:

Adultez e Neuroplasticidade: Antigamente, acreditava-se que a neuroplasticidade fosse principalmente uma característica do cérebro em desenvolvimento e que diminuísse significativamente na idade adulta. No entanto, pesquisas recentes mostraram que a neuroplasticidade ocorre em todas as idades. Isso significa que o cérebro adulto tem a capacidade de se adaptar, aprender e mudar ao longo da vida, o que tem implicações significativas para a reabilitação após lesões cerebrais e para o aprendizado ao longo da vida.

Mapeamento do Cérebro em Tempo Real: Avanços nas técnicas de imagem cerebral, como a ressonância magnética funcional (fMRI) e a eletroencefalografia (EEG), permitiram aos cientistas mapear a atividade cerebral em tempo real. Isso ajudou a identificar áreas específicas do cérebro que estão envolvidas em processos de neuroplasticidade, como a aprendizagem de novas habilidades.

Aplicações Clínicas: A compreensão da neuroplasticidade levou a avanços significativos na reabilitação após lesões cerebrais, como acidentes vasculares cerebrais, traumatismos cranianos e lesões da medula espinhal. Terapias baseadas na neuroplasticidade, como a terapia ocupacional e a fisioterapia, visam ajudar os pacientes a reabilitar funções perdidas ou prejudicadas por meio da reorganização do cérebro.

Tratamento de Distúrbios Neurológicos: A pesquisa em neuroplasticidade também levou a novos tratamentos para distúrbios neurológicos, como o uso da estimulação cerebral profunda para tratar doenças como o Parkinson. Esses tratamentos visam aproveitar a capacidade do cérebro de se adaptar e compensar as disfunções.

Aprendizado Personalizado: Compreender a neuroplasticidade ajudou a reformular a educação e o treinamento. A adaptação de métodos de ensino e treinamento com base na capacidade do cérebro de se adaptar individualmente pode melhorar a eficácia do aprendizado.

Neuroplasticidade em Contexto Psiquiátrico: A neuroplasticidade também tem implicações no campo da psiquiatria. Estudos exploram como intervenções terapêuticas, como a terapia cognitivo-comportamental, podem levar a mudanças nas conexões neurais e, assim, tratar distúrbios mentais.

Estudos de Neuroplasticidade em Animais e Culturas de Células: Pesquisas em neuroplasticidade não se limitam ao estudo de cérebros humanos. Estudos em animais e culturas de células neurais têm fornecido insights valiosos sobre os mecanismos subjacentes à plasticidade cerebral.

Em resumo, os avanços na pesquisa sobre neuroplasticidade cerebral têm revolucionado nossa compreensão do funcionamento do cérebro e têm implicações significativas em várias áreas, incluindo medicina, educação e reabilitação. Esses avanços continuam a oferecer oportunidades para o desenvolvimento de novas terapias e estratégias de aprendizado que podem melhorar a qualidade de vida das pessoas e ampliar nosso conhecimento sobre o cérebro humano.

Last modified: 11/28/2023